Dos cortes de custos aos automóveis, Porsche define estratégia de futuro
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A atravessar um período complicado na sua história, a Porsche revelou esta quarta-feira (7 de outubro) a estratégia para o futuro com a qual quer recuperar - conhecida por Sportwagenschmiede '35.
Michael Leiters, presidente do conselho de administração da Porsche, frisou que quer "reforçar mais a marca única de carros desportivos", apresentando agora uma estratégia que "lançará as bases para tornar a Porsche significativamente mais eficiente, produtiva e rentável".
O plano contempla três fases, com o foco atual a estar na redução de custos e na robustez financeira. Mas é uma estratégia de médio prazo, que também reflete a "aspiração de oferecer os veículos mais desportivos em todos os segmentos, mas também artesanato, pensamento prático e empreendedor e ação focada nos negócios", segundo palavras do dirigente.
Os objetivos financeiros
O objetivo é que, no médio prazo, o grupo consiga um lucro operacional sobre as vendas entre 10 a 15 por cento e uma margem de fluxo de caixa líquido de 9 a 12 por cento no negócio automóvel, com um ponto de equilíbrio muito menor do que atualmente - abaixo das 200 mil unidades. Ou seja, aposta no valor e não tanto no volume de vendas. No que toca a vendas, o objetivo do grupo é alcançar os 41 a 45 mil milhões de euros no médio prazo.
Apertar o cinto
Em cima da mesa, está a redução da mão-de-obra em 25 por cento no médio prazo (o objetivo estratégico é de 30 por cento) em funções diretas e indiretas. Já a redução de custos com o pessoal na produção deverá atingir os 30 por cento. E nem as posições de gestão escapam, prevendo-se o corte de 40 por cento das mesmas no médio prazo.
Mas não através da mão-de-obra se "aperta o cinto". A Porsche também visa baixar os custos de desenvolvimento para futuras linhas de modelo em até 20 por cento, com tempos de desenvolvimento mais curtos, alargamento de capacidades internas, modularidade e menor complexidade.
A Porsche Engineering e a Porsche Digital vão fundir-se na Porsche Technologies, o que pretende reforçar as competências globais de desenvolvimento. Do ponto de vista das vendas e da distribuição, o objetivo é que os custos reduzam 20 por cento (com medidas como a redução das regiões de vendas de cinco para quatro). O fabricante prevê, ainda, um programa de custos de materiais com o intuito de diminuir os custos em materiais individuais para projetos de novos veículos em torno dos dez por cento face aos planos anteriores.
Profunda revisão da gama de automóveis
Para o futuro, a Porsche vai focar a sua abordagem no valor e não tanto no volume. Pretende reduzir a complexidade da sua oferta de modelos em cerca de 20 por cento, o que significa menos variantes. A expectativa é aumentar o volume de vendas por variante em torno dos 30 por cento no médio termo.
A ideia passa, igualmente, por produzir "veículos ainda mais exclusivos e desejáveis", com um objetivo de "oferecer o automóvel mais desportivo em todos os segmentos no qual compete", lê-se em comunicado.
Irá reforçar a sua presença nos segmentos de margens altas (D e E) e terá mais propostas exclusivas e derivados de porta-estandarte. Isto inclui o desenvolvimento de uma plataforma de carro super desportivo com motor central, que servirá de base para uma oferta posicionada acima do 911.
A Porsche promete reforçar a oferta do 911 no segmento D com "derivados altamente emotivos" e admite vir a ter um SUV do segmento D que fique acima do atual Cayenne. Embora esteja numa situação complicada, o fabricante de Weissach não quer parar: até 2030, quer lançar pelo menos um novo produto definidor de marca todos os anos.
Mas não só estes segmentos irão merecer atenção: em 2028 irá apresentar um novo B-SUV com motorizações de combustão interna e híbridas plug-in, ao passo que a expansão do portfólio vai começar com os novos 718 Boxster e Cayman totalmente elétricos cujo primeiro ano completo de produção deverá ser 2028.
Em termos de motorizações, a combustão e os híbridos plug-in continuarão a merecer investimento, mas também os elétricos com a próxima geração de baterias. Neste aspeto, é uma aposta em três caminhos diferentes, numa estratégia aprimorada para cada tipo de motorização.
Outro dos planos da Porsche para o futuro passa por aumentar o preço médio de venda dos modelos topo de gama em torno dos 20 por cento - isto ao mesmo tempo que crie um valor que justifique tal aumento.
Uma colaboração mais chegada com a Audi, através das plataformas PPE e PPC, irá permitir que a Porsche use os seus recursos de desenvolvimento de forma mais eficiente, sem pôr em causa o caráter único da tecnologia e dos recursos específicos da sua marca.