Novo maio de 68 em França? Estudantes continuam na rua, Lecornu fala hoje
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Os protestos estudantis em França têm sido marcados por confrontos entre manifestantes e forças policiais, detenções e danos em vários estabelecimentos. A situação prolonga-se há cerca de duas semanas, e para os que ainda se lembram, muito se fala nas semelhanças com o famoso maio de 68.
“Estamos a testemunhar o movimento mais poderoso nas escolas secundárias e em faculdades desde o Maio de 1968", fez lembrar o candidato presidencial da França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, chamando a atenção para as semelhanças entre as duas manifestações.
Maio de 1968 ficou marcado na história mundial como o mês em que estudantes demonstraram sua intenção de transformar o mundo.
Para muitos, não foi apenas uma revolta de estudantes, nem apenas uma explosão geracional, nem apenas uma revolução dos costumes. O seu núcleo histórico decisivo foi a entrada em cena da classe trabalhadora francesa, através de uma greve geral que envolveu milhões de trabalhadores e paralisou o país.
E agora?
Os protestos de agora tiveram início em meados de setembro com o bloqueio de um liceu em Créteil, nos arredores de Paris, em protesto contra a falta de professores e de meios nas escolas, tendo-se depois alargado a outras regiões do país e transformando-se num movimento nacional de pressão sobre o governo de Emmanuel Macron.
Para hoje espera-se que se mantenham as reivindicações. Segundo o Le Figaro, 528 escolas vão estar total ou parcialmente fechadas.
Protestos violentos
Desde o início dos protestos, em finais de setembro, pelo menos 215 estudantes e cerca de 85 professores ficaram feridos, além de 715 polícias e guardas-republicanos, segundo o balanço apresentado pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
A Comissão Nacional Consultiva de Direitos Humanos (CNCDH) de França também manifestou a "máxima preocupação" com o "uso desproporcional da força" durante as mobilizações e apelou ao Governo para reforçar o diálogo com os jovens.
Já hoje, o ministro do Interior, anunciou que "deixarão de ser utilizadas no âmbito do movimento estudantil do ensino secundário" as granadas de atordoamento.
A decisão anunciada por Laurent Nuñez, acontece depois de um jovem de 15 anos ter tido a mão amputada no uso de explosivos. Recorde-se também que o Ministério Público acusou hoje formalmente de agressão o agente que disparou o lança-granadas que feriu um estudante de 14 anos durante um bloqueio estudantil em Saint-Ouen-l'Aumône, em Val-d'Oise. O menor sofreu uma dupla fratura no maxilar depois de ter sido atingido por uma granada de gás lacrimogéneo.
Lecornu fala hoje ao país
O Presidente francês, Emmanuel Macron, tem evitado pronunciar-se sobre o assunto. Mas para esta quarta-feira está agendada uma declaração do primeiro-ministro Sébastien Lecornu que deverá pronunciar-se a partir de Matignon, sobre o ensino secundário, os combustíveis, a crise agrícola e a dívida.
"Violência faz parte do vosso projeto político"
Por seu turno, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, acusou a esquerda radical de pretender "lançar o país no caos" antes das eleições presidenciais de 2027 e de alimentar a violência nos protestos estudantis.
"A realidade é que vocês são ambíguos em relação à violência porque a violência faz parte do vosso projeto político de lançar o país no caos entre agora e as eleições presidenciais", afirmou Lecornu.
"Mentir sobre as intenções do Governo não vos salvará eleitoralmente. Semear o caos, como fazem desde o início do movimento estudantil, é um escândalo", afirmou Lecornu.
Protestos preocupam Europa
O comissário europeu da Equidade Intergeracional, Juventude, Cultura e Desporto, Glenn Micallef, expressou hoje preocupação com os protestos estudantis.
"Quando adolescentes sofrem, durante protestos, lesões que mudam as suas vidas, isso é algo que nos deve preocupar a todos. As autoridades devem manter a ordem, mas a sua resposta deve ser proporcional, especialmente quando há menores envolvidos", afirmou.
Segundo Micallef, a democracia deve ser capaz de conciliar "o direito de protestar, a responsabilidade de fazê-lo pacificamente, o dever de garantir a segurança das pessoas e a obrigação de ouvir, antes que a frustração se transforme em confronto".
"Espero que agora a atenção possa voltar a concentrar-se naquilo que levou os jovens a sair à rua inicialmente", concluiu.
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