Novo passo contra o melanoma: Investigadores em Portugal criam hidrogel
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Pode ter sido dado mais um passo no combate ao melanoma. Investigadores das Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho desenvolveram um hidrogel com potencial para tratar este cancro de pele
Em comunicado, a FCUP dá conta deste "hidrogel inovador", um material híbrido composto por nanocápsulas esféricas e um polímero (gel), podendo ajudar a tratar o melanoma, a forma mais grave de cancro da pele que, em Portugal, conhece 1.000 a 1.500 novos casos por ano.
Na prática, as nanocápsulas levam o fármaco usado no tratamento de vários tipos de cancro, o doxorrubicina, e o gel "funciona como uma espécie de barreira, permitindo controlar a libertação do medicamento".
O hidrogel será aplicado na zona específica na pele que seja afetada pelo melanoma e pode complementar outros tratamentos e abordagens terapêuticas, incluindo após cirurgia.
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"A libertação localizada e controlada do fármaco poderá reduzir a exposição de tecidos saudáveis e, consequentemente, alguns dos efeitos secundários associados à quimioterapia", acrescenta a FCUP.
Os ensaios laboratoriais realizados no Minho mostraram "boa biocompatibilidade" e, em estudos anteriores, tinham confirmado que as nanocápsulas são sensíveis ao pH – na prática, entrando em contacto com tumores, geralmente apresentando um ambiente mais ácido, o sistema "poderá facilitar a libertação do medicamento".
"À temperatura ambiente, o material é uma solução que pode ser facilmente manipulada e aplicada. Quando entra em contacto com a pele, devido à diferença de temperatura, ocorre rapidamente a transição para o estado de gel, o que favorece a sua permanência no local de aplicação", descrevem Isabel Oliveira e Eduardo Marques, docentes na FCUP, citados na nota.
Segundo o primeiro autor do estudo, Rui Machado, compreender como as nanocápsulas e o gel interagem entre si foi uma das fases essenciais do processo, que foi desenvolvido no âmbito de uma tese de doutoramento em Química, que defendeu em abril.
Os resultados de dois anos de trabalho foram publicados no final de julho na revista da especialidade Applied Bio Materials, da Sociedade Química Americana, e os cientistas têm como próxima fase "avançar para estudos 'in vivo', de forma a avaliar a interação do hidrogel e do fármaco com o organismo".
"O objetivo é continuar a explorar o potencial deste sistema inovador para se chegar a um tratamento anti-melanoma mais localizado e com menos efeitos secundários", conclui a FCUP.