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Reveladas mensagens entre filho de Marcelo e Lacerda. "Tentar ajudar"

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                    Reveladas mensagens entre filho de Marcelo e Lacerda.
Reveladas mensagens entre filho de Marcelo e Lacerda. "Tentar ajudar" (Foto: Reprodução)

O Ministério Público (MP) já terá acesso às mensagens trocadas entre Nuno Rebelo de Sousa, filho do ex-Presidente da República, e o antigo secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, no âmbito do caso das gémeas luso-brasileiras que receberam o medicamento Zolgensma no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, em 2020.

 

De acordo com o Expresso, foi o filho de Marcelo, que vive em São Paulo, no Brasil, que deu aos procuradores do MP 16 capturas do ecrã do telemóvel com mensagens que trocou com Lacerda Sales.

A troca de mensagens entre os arguidos - acusados de prevaricação e abuso de poder -, disponibilizada agora pela defesa, ocorreu entre novembro e dezembro de 2019, logo após a reunião realizada entre ambos a 7 de novembro no Ministério da Saúde. 

O MP suspeita que logo nesse encontro o filho do então Chefe de Estado pediu a Lacerda Sales que "exercesse pressão junto do Hospital de Santa Maria para marcar consultas para as crianças gémeas e dar um andamento célere e favorável à administração do Zolgensma". Tal como, de resto, Lacerda Sales chegou a assumir numa entrevista ao semanário.

No entanto, a defesa de Nuno Rebelo de Sousa garante que o caso nunca foi falado entre os dois arguidos nesse encontro.

Dos agradecimentos ao pedido

As primeiras capturas de ecrã facultadas pela Defesa de Nuno Rebelo de Sousa ao MP mostram, segundo o Expresso, o filho de Marcelo a agradecer a Lacerda Sales o encontro pessoal que tiveram, no âmbito da Web Summit, em Lisboa, e que tinha como tema único "um intercâmbio entre médicos e empresários do Brasil e de Portugal".

Garantem os advogados que só nessa sequência, via WhatsApp, na noite de 10 de novembro, o empresário referiu a Lacerda Sales que estava a "tentar ajudar umas gémeas brasileiras-portuguesas com AME".

Quatro dias depois, a 14 de novembro, Lacerda Sales explicou ao filho de Marcelo, também por WhatsApp, que aquele medicamento era "uma terapêutica inovadora muito recente" e que o processo exigia "uma referenciação pelo SNS para uma primeira consulta de avaliação", terminando a mensagem dizendo que poderia "tentar ajudar nessa matéria".

Os 'printscreens' dão conta de que a troca de mensagens entre os dois arguidos prolongou-se até ao dia 21 de dezembro, quando Nuno Rebelo de Sousa diz a Lacerda Sales que as meninas estavam a chegar a Portugal.

Lacerda Sales apagou mensagens?

Ainda segundo o semanário Expresso, a Polícia Judiciária (PJ) não encontrou, durante as perícias forenses, mensagens de WhatsApp trocadas entre o ex-governante e Nuno Rebelo de Sousa, o que chamou a atenção dos inspetores, uma vez que conversaram mais do que uma vez pelos dispositivos.

No entanto, nas mensagens trocadas entre Lacerda Sales e Luís Pinheiro, ex-diretor clínico do Hospital de Santa Maria, havia reencaminhamentos das mensagens entre o antigo secretário de Estado da Saúde e o filho de Marcelo.

Além disso, Lacerda Sales também não tinha no WhatsApp conversas com o chefe de gabinete nem com a secretária de Estado. Para os investigadores, isso significa que o antigo governante "terá, em momento anterior à diligência de buscas em sua casa, eliminado as mensagens trocadas com estes destinatários". Algo que "poderia vir a ter relevância para a investigação".

Advogada de Lacerda Sales não sabe se "continua a representá-lo"

Contactada pelo Expresso para reagir a estes dados, Paula Santiago Morais, advogada de António Lacerda Sales no processo, revelou que o ex-secretário de Estado encontra-se atualmente no estrangeiro, não sabendo se continua a representá-lo.

"Até ao seu regresso, aguardo confirmação do mandato que me conferiu anteriormente", disse.

Recorde-se que António Lacerda Sales, Luís Pinheiro e Nuno Rebelo de Sousa foram acusados pelo MP de um crime de prevaricação em concurso aparente com abuso de poderes no processo que ficou conhecido como "caso gémeas".

Já Daniela Martins, mãe das meninas, foi acusada do crime de burla qualificada, algo que não tem relação com a forma como obteve o tratamento com o medicamento mais caro do mundo para as filhas, mas com a aquisição de cadeiras de rodas adaptadas.

Marta Temido defende Lacerda Sales. "Tentou resolver um problema humano"

Marta Temido, a ministra da Saúde em funções na altura em que as gémeas luso-descentes tomaram o Zolgensma no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, defende o então secretário de Estado da Saúde. Para a atual eurodeputada, Lacerda Sales não tinha "intenção de favorecimento", tentou "resolver um problema humano".

Natacha Nunes Costa | 09:55 - 01/10/2026

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